Acho que duas coisas têm pautado a minha vida, primordialmente: a vontade de acertar, (nem sempre melhorar...) e a vontade de ser feliz. Claro, tudo isso salpicado por uma curiosidade imensa, relativa a quase tudo. O saber é uma coisa muito louca, é um bichinho que nunca para de coçar e atiça a gente o tempo todo. Nem que seja saber coisas inúteis, fúteis ou bobinhas. Por outro lado, me dou ao luxo de não querer saber algumas coisas, se não é o momento ou são de moda. Qual o vinho correto? Nem imagino, não bebo... Em resumo, não sou uma curiosa compulsiva.
Quanto a ser feliz, já devo ter feito muitas bobagens, imaginando que “aquele” seria o caminho cujo trilhar me faria feliz. Tento não me arrepender, mas carregar culpas também faz parte da minha personalidade. Em tudo na vida. Poderia ter acertado, se deu errado. Poderia ter feito melhor, se deu certo. Enfim, nada que uns anos de terapia não me ajudem a amenizar.
Pois então: se a dita felicidade são momentos, ser feliz é viver, o máximo de tempo possível, em “estado de felicidade” e tento aumentar esses momentos e esticar a danadinha bastante. Com amigos, família, conhecidos, comigo, e com o amor. Ah, o amor! Que praga! Que luxo! Que merda! Que paraíso! Que inferno! Que bom! Quero, quero, quero muito essa praga, esse luxo, essa merda, paraíso e inferno! Mas quero tudo isso porque amo, se não estivesse “em estado de amor” iria querer adiar esse encontro. Enfim, o amor é tudo isso, é problema, dor de cabeça, mas já que o mal está feito, quero mais é aproveitar!

Só que o amor é mais que isso. O amor é parceria. O amor é a dois. E eu sozinha não sou nada, sou só um bagacin cheio de tristeza por não poder usufruir dessa delícia dos deuses. Como disse a nova rica ao sentir-se apaixonada: “isso é tão bom que não deveria ser oferecido a essa gentinha!” Poizé, a gente se sente especial, gostar é mesmo um manjar físico, mental, emocional e espiritual dos deuses, é o momento em que nós, pobres mortais, nos sentimos especiais, se não deuses, ao menos semi. Os mortais temos aí a possibilidade de nos sentirmos imortais... há, há, há... parece brincadeira... mas não é não, adquirimos uma força especial...
Bem, filosofias à parte, postas aqui unicamente com o intuito de demonstrar o tanto que valorizo essa merda quando ela já está feita, o caso é que eu amo. Preferiria me sentir em estado de liberdade, livre, leve e solta pra controlar meus pensamentos, vontades e quase tudo o mais. Em resumo, hoje, preferiria não estar amando. Mas... estou presa. E muito. Uma prisão que representaria a minha liberdade se tudo estivesse bem. Mas essa prisão, hoje, é um cárcere que encerra um monte de sonhos meus.
Sonhos... se não os houvesse, o que teríamos para realizar?

Adoro sonhar. Principalmente acordada. É esse o sonho que vale. E detesto ter meus sonhos frustrados. Principalmente os sonhos do amor. Por isso luto tanto pra realizá-los. Só que agora bateu uma canseira... venho lutando sozinha, e me sinto velha, cansada, alquebrada, corcunda até... andar trôpego, pés arrastando, cabelos brancos... quero entregar os pontos, me refastelar numa cadeira confortável e ver a vida passar, tentando matar o tempo com uma leitura, um filme, talvez com um tricô, mais condizente com o estado de entrega...

É o amor, justo ele, que tem me feito sentir assim, tão fora de moda, tão “out”, tão imprópria pra ele... é como se o amor se voltasse pra mim (e contra mim) e me dissesse: não, não é mais possível, seu tempo acabou, vai buscar uma diversão pra sua (3ª.?) idade, amar é pros jovens, pros sonhadores, pros que têm ainda muito tempo pra essas emoções, pros que têm coração forte... poxa, sou sonhadora, tenho coragem e o coração forte, e o tempo... o que é o tempo? de vida terrestre? não sabemos do amanhã! Quem fica, quem vai... a ordem natural das coisas? Mas no amor tudo é natural, até a desordem! Preto com branco, novo com velho, gordo com magro, judeu com árabe, sei lá, até atleticano com cruzeirense!

E eu estou aqui, revoltada, triste e com raiva, prostrada e em sentinela, querendo saber por que vim dar num buraco destes!!! Um dia me censuraram quando eu maldisse ter comparecido a um encontro 9 anos atrás. Porque os momentos felizes que vivi nesse meio tempo foram muitos. Ok. Tudo bem. Isso é papo de fim de amor, fim de festa. Foi bom enquanto durou. Só que o amor dura. Perdura. Continua. Segue. Me persegue. Não é negado. Mas a presença, a divulgação, a manifestação externa.. tudo isso acabou. Restou o amor escondido, envergonhado, como se fosse errado. Enfim, restou o amor errado. E eu não amo errado, nem admito que me julguem errada pro amor ou por amar ou por quem amar.

Aliás, não admito que me julguem. Nem você, nem ninguém. Não tenho nada a ver com a vida dos outros, mas também não tenho nada a ver com o que falam da minha vida. Mesmo porque a maioria das coisas que falam de mim eu nem fico sabendo (graças a Deus!). Passei a vida toda preocupada com o meu “bom” comportamento, não querendo horrorizar ninguém, mas tudo tem um limite. E cheguei no meu. A propósito, se eu imaginasse que daquele encontro, há 9 anos, iria viver uma situação surreal como a que vivo hoje, onde a vergonha é maior que o amor, teria ficado em casa!

Bem, o que vale hoje é que eu fui àquele encontro...
Ontem, ao chegar na minha casinha gostosa, depois de quase um mês afastada, inaugurei lençóis novos, sozinha, o que não queria, já que estes estavam nos meus planos pra serem inaugurados a dois e com muita farra. Enfim, gentileza da minha filha, que arrumou meu quarto e ainda me brindou com um lanche caloroso à minha chegada.

Dormi entre aqueles lençóis gostosos e frios, mas dormi cansada pra não pensar muito... Antes de me deitar tive que tirar seus travesseiros da minha cama... guardei-os, não sem antes pensar quando, como e para quem voltariam de novo àquele lugar.
A propósito: essa dicotomia amor x ódio é papo de poeta mal resolvido...
Outra coisa: tudo isso dói, dói, dói...