Como foram os movimentos, como foi a ação? Como chegaram ali? Andaram, voaram, se transportaram… como? Aqui, agora, a sós, deitados no macio daquele tapete? Aonde? A dúvida durou os poucos segundos necessários para ele entender a situação: estavam ali, tão próximos, e todos os seus sentidos concentrados em um único foco, Ela. O som era a sua respiração, a visão era ela, o cheiro era dela, o tato era aquele corpo e o gosto era o dela. Não via, ouvia, percebia ou sentia nada mais que Ela. Decidiu olhá-la mesmo com a proximidade que havia entre seus rostos. Ela, de olhos fechados, deitada, como que esperando por ele, e ele de olhos abertos, de lado, admirando-a, buscando por Ela. Quis sentir o gosto daqueles lábios, percorrendo-os de leve com os seus. Roçando os seus nos dela, como um ritual sem pressa e sem roteiro. A resposta veio através da respiração levemente ofegante, fazendo com que ele desenhasse, com a sua língua, aqueles lábios. O desenho demorou algum tempo, já que por duas vezes foi interrompido para que ele a fitasse. E sentisse que era acolhido, mesmo que com sinais imperceptíveis.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)