sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Oração do Amanhecer



SENHOR,

NO SILÊNCIO DESTE DIA QUE AMANHECE (ou de qualquer outro momento do meu dia), VENHO PEDIR-TE A PAZ (para que eu nunca queira ‘guerrear’ com meu semelhante), A SABEDORIA (para que eu saiba optar pela melhor

atitude, distinguindo quando devo ou não atuar e como) E A FORÇA (para que eu tenha sempre o controle da minha mente e do meu corpo).

QUERO OLHAR HOJE O MUNDO COM OS OLHOS CHEIOS DE AMOR (pois só assim serei tolerante com o meu próximo); SER PACIENTE (porque a impaciência só precipitará os acontecimentos, impedindo-me de atuar com sabedoria), COMPREENSIVO (porque, sem a compreensão do outro, não posso colocar-me em seu lugar, imaginando como ele se sentiria, exercendo a compaixão e, consequentemente, não posso aquilatar as conseqüências dos meus atos sobre ele), MANSO (pois sem a mansuetude não posso dominar o meu orgulho), E PRUDENTE (pois a imprudência poderá levar-me a caminhos sem volta e a tomar atitudes que não permitam o arrependimento); VER ALÉM DAS APARÊNCIAS (que são falsas vestes que usamos para nos escondermos do próximo, ou idéias falsas e preconcebidas que temos dos outros) TEUS FILHOS (que somos todos nós, que é o meu próximo)

COMO TU MESMO OS VÊS (eis que nos vês desnudos do escudo carnal, sem farsa e sem mentira, já que a Ti não podemos enganar) E, ASSIM, NÃO VER SENÃO O BEM EM CADA UM

(o bem que está dentro de todos nós mas que nos furtamos de observar, já que nos atinge mais o lado negativo de cada um, fazendo com que mais a esse lado demos destaque, agindo sem caridade e compaixão).

CERRA MEUS OUVIDOS A TODA CALÚNIA (para que eu não tome, como verdade, aquilo que denigre meu semelhante, acreditando em tudo o que ouço e me dizem), GUARDA MINHA LÍNGUA DE TODA MALDADE (para que eu nunca seja veículo da calúnia ou, mesmo, da verdade que fere ou desnuda o próximo desnecessariamente).

QUE SÓ DE BÊNÇÃOS SE ENCHA MEU CORAÇÃO (e que eu reconheça essas bênçãos, seja recebidas através da felicidade, seja através do sofrimento, tratando toda experiência como oportunidade ofertada, útil ao meu crescimento, e tirando de cada uma o máximo de aprendizado).

QUE EU SEJA TÃO BONDOSO (desejando sempre o bem ao próximo, ainda que egoisticamente, pois sei que não sou puro, com a consciência de que se aqueles que me cercam estão bem, da mesma forma estarei propício a assim ficar) E ALEGRE (pois a alegria acende a esperança e contagia o próximo, sendo a melhor forma da qual se revestem a bondade e o otimismo) QUE TODOS QUANTOS SE ACHEGAREM A MIM (qualquer que seja o motivo dessa aproximação, com bons ou maus propósitos, sem julgar) SINTAM A TUA PRESENÇA (eis que de mim emanarão bons fluídos dirigidos a todos os que de mim se aproximarem, transformando-me, a minha vontade, em manancial do bem).

REVESTE-ME DE TUA BONDADE, SENHOR(pois que o treinamento para ser bom começa com a minha vontade de distinguir meu semelhante como meu irmão, filho do mesmo Pai, aceitando suas falhas e esperando que ele aceite as minhas), E QUE NO DECURSO DESTE DIA (que se inicia com meu primeiro pensamento consciente, ao levantar-me, e que deveria ser sempre uma prece,

e só termina ao deitar-me, após mais um dia de crescimento, esforçando-me por ter a tranquilidade e a humildade suficientes para, novamente em prece, agradecer as oportunidades recebidas, e nem sempre aproveitadas)) EU TE REVELE A TODOS!(que as minhas ações sejam sempre pautadas pelas Tuas leis, fazendo com que meu semelhante se aproxime de Ti).


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Me farto com teu beijo...


Me farto com teu beijo como um almoço depois da sobremesa

Me farto com teu beijo como um bebê ao largar o seio que lhe dá leite

Me farto com teu beijo como o milésimo abraço de aniversário

Me farto com teu beijo como a última dose de bebida que aqueceu o peito

Me farto com teu beijo como o fim do copo dágua que matou a sede

E mesmo assim ainda sinto fome!



domingo, 31 de outubro de 2010

Paixão


Amo a tua voz e a tua cor

E o teu jeito de fazer amor

Revirando os olhos e o tapete

Suspirando em falsete

Coisas que eu nem sei contar

Ser feliz é tudo que se quer

Ah! Esse maldito fecho éclair

De repente a gente rasga a roupa

E uma febre muito louca

Faz o corpo arrepiar

Depois do terceiro ou quarto copo

Tudo que vier eu topo

Tudo que vier vem bem

Quando bebo perco o juízo

Não me responsabilizo

Nem por mim, nem por ninguém

Não quero ficar na tua vida

Como uma paixão mal resolvida

Dessas que a gente tem ciúme

E se encharca de perfume

Faz que tenta se matar

Vou ficar até o fim do dia

Decorando a tua geografia

E essa aventura em carne e osso

Deixa marcas no pescoço

Faz a gente levitar

Tens um não sei quê de paraíso

E o corpo mais preciso

Que o mais lindo dos mortais

Tens uma beleza infinita

E a boca mais bonita

Que a minha já tocou

Saudades de Kleiton e Kledir, precisando ouvir mais músicas...

domingo, 24 de outubro de 2010

o beijo, sempre o beijo!



daqueles de
agarrar os cabelos,
segurar na nuca,
conduzir a cabeça,
encontar a boca,
entreabrir os lábios,
encontrar as línguas e...
se fartar!!!



quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Não me peça para prometer!

Não me peça para prometer!

Promessas vinculam,

criam vínculos que não sei se quero.

Hoje é hoje, amanhã eu nem sei

se quero a liberdade, se te ter é ser livre,

se te ter é prisão, se te ter é um não,

não me peça para prometer!

Prometo que fico, prometo que vou,

não, não é isso o que eu quero!


Na verdade, me olhando agora,

preso nesse olhar pra dentro,

vejo que as amarras sou eu,

que me prendo e me amarro

criando um vínculo mais forte ainda

com minha recusa em ser feliz.


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Friozin...




Friozin gostoso,
sodade de neve, hotel e
vontade de abraço...
Gorrinho de Lavras Novas
debaixo de capuz de pele
pra aguentar a neve de
Serra da Estrela, em Portugal...
Adoro o calor, o sol, a praia e areia,
mas pra embalar
meus melhores sonhos
amo o frio!


sábado, 25 de setembro de 2010

se um dia eu te encontrar...


Se um dia eu te encontrar

Há de ser sem querer

Sem o querer que eu sempre tive


Se um dia eu te encontrar

Hei de estar sem te querer

Sem querer te reparar


Passaremos um pelo outro

E não terei vontade de virar a cabeça

Não valerá a pena…


(ago/2010)



terça-feira, 21 de setembro de 2010

declaro guerra...


... à falta de caráter,

à falta de coragem,

à falta de amor!





quarta-feira, 15 de setembro de 2010

beijo na boca...


Beijo na boca, beijo de cinema, ah... nenhum tão famoso quanto estes...



"E o vento levou",
Vivien Leigh e Clark Gable,
aquela tensão/tesão no ar
quando se encontravam...
sempre opostos, antagônicos...








"A um passo da eternidade"
o tesão de toda a cena vivida por
Deborah Kerr e Burt Lancaster...
ah, esse beijo, sem raiva,
sem lutar contra a entrega, só se
entregando... é o meu preferido!




domingo, 12 de setembro de 2010

outra pausa?


Tenho postado, aqui, coisas que eu gostaria de viver. Agora, é hora de uma pausa na história desses dois (não sei bem se é pausa, se haverá um nono passo...), enfim, é hora de eu caminhar, tão logo, fisicamente, o possa. Escrevi muito, agora acho que é hora de viver. O beijo, o toque, a expectativa, o tesão...

sábado, 4 de setembro de 2010

o oitavo...


O arrepio foi subindo pela coluna, pescoço, e permaneceu na base do crânio, ele deliciando-se com as mãos dela percorrendo esse caminho. Os dedos pressionando, na medida certa, fizeram com que ele interrompesse o beijo e lançasse a cabeça para trás. Algumas vezes. Ai, que bom, que contorcer gostoso, e que bom voltar àquela boca... E esse contorcer fazia com que seu corpo se movesse ainda mais naquela direção, primeiro a perna abraçando as dela, depois o tronco... e ele se deliciando com as mãos que o procuravam, uma por baixo da camisa, unhando de leve as suas costas, outra no seu pescoço... Agora, ele queria só duas coisas: curtir esse prazer intenso e proporcionar a Ela a mesma dose desse veneno abençoado.


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

o sétimo...


Como foram os movimentos, como foi a ação? Como chegaram ali? Andaram, voaram, se transportaram… como? Aqui, agora, a sós, deitados no macio daquele tapete? Aonde? A dúvida durou os poucos segundos necessários para ele entender a situação: estavam ali, tão próximos, e todos os seus sentidos concentrados em um único foco, Ela. O som era a sua respiração, a visão era ela, o cheiro era dela, o tato era aquele corpo e o gosto era o dela. Não via, ouvia, percebia ou sentia nada mais que Ela. Decidiu olhá-la mesmo com a proximidade que havia entre seus rostos. Ela, de olhos fechados, deitada, como que esperando por ele, e ele de olhos abertos, de lado, admirando-a, buscando por Ela. Quis sentir o gosto daqueles lábios, percorrendo-os de leve com os seus. Roçando os seus nos dela, como um ritual sem pressa e sem roteiro. A resposta veio através da respiração levemente ofegante, fazendo com que ele desenhasse, com a sua língua, aqueles lábios. O desenho demorou algum tempo, já que por duas vezes foi interrompido para que ele a fitasse. E sentisse que era acolhido, mesmo que com sinais imperceptíveis.


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Liberdade vigiada


Liberdade de andar, com andador ou muletas…

Liberdade de tomar banho, em uma cadeira e com pouca mobilidade...

Liberdade de dormir, escorada em almofadas e remédios…

Liberdade de comer, mas na cama, na bandeja entregue

Primeiro banho com liberdade vigiada. Em cadeira especial, tudo já à mão, sensação de liberdade total ao lavar os cabelos, a água descendo sobre eles e o meu corpo. Passar o xampu, o perfume gostoso, as mãos friccionando o couro cabeludo, o xampu escorrendo com a água… dei risada como se fosse criança, Maria vem correndo da cozinha ver o que estava acontecendo, rindo também, você parece uma criança tomando banho, pela primeira vez, sem a mãe tomando conta! Eu, sempre rindo: sai daqui, Maria, não entra no banheiro! E era isso mesmo. Me sentia livre, mesmo tendo Renata, meu anjo da guarda, no quarto ao lado, atenta a qualquer barulho diferente, atenda às 2 vezes que o xampu caiu da banqueta.

Misturadas à água e ao xampu vieram as lágrimas. De agradecimento. De emoção. De poder desfrutar daquele momento. Tão íntimo e partilhado com pessoas amadas.

Mas as lágrimas são perigosas, parece que correm sempre pelo fio de uma navalha afiada, são de alegria e rapidinho, se não estamos vigilantes, são de tristeza. Pensei no partilhar, no dividir, participar, imaginei mãos amadas vivendo aquele momento, lavando os meus cabelos como algumas vezes (não tantas como eu gostaria) aconteceu. Aquele entregar-se a outra pessoa, aquele deixar-se cuidar, aquele abandono gostoso… enfim, aquele confiar, que isso é prova de muita confiança. E o gosto ruim travou minha garganta, embargou as lágrimas e as fez secar mesmo embaixo dágua. Agora, só desciam a água do chuveiro e o xampu. De lágrimas, meu rosto estava seco.

Quero viver, de novo, a intimidade-cumplicidade desse momento. Quero o meu corpo - curado e são, sendo tocado, ensaboado, acariciado, descoberto, desvendado, desvirginado, por mãos amadas. Mãos experientes do meu corpo, e às quais só o meu corpo baste. Mãos merecedoras do meu corpo, que o queiram com amor, doçura, carinho e tesão, com as cicatrizes que fazem dele que eu sou… mãos que queiram o meu corpo como querem a mim, à minha alma, ao meu espírito. Mãos experientes não dos anos terrestres, mas da maturidade de quem sabe que a vivência não surge de experimentar todo e cada fruto encontrado à beira da estrada. Experientes da maturidade de quem sabe selecionar os frutos, sabe quais valem a pena, quais quer degustar. Experientes da maturidade de não ser vulgar.


Finalmente, mas não menos importante: amigos e amigas que têm se manifestado, com seu carinho, vocês têm enorme mérito na minha recuperação. Luís, médico dedicado, que não deixa que a dúvida se aproxime de mim, muito obrigada. Pessoas há que, chegando tarde à nossa vida, logo, logo, conseguem lugar especial. Dia 20 veremos o fruto do seu trabalho e do meu esforço. Um outro tipo de dia 20. Vai dar tudo certo, espero que seja um dia especial.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

+ 1 x, pausa nos passos


Aquele casal (ah, aquele casal!) agora gostaria de estar se amando e se pegando entre lençóis (ou mesmo sem eles)... mãos se buscando, se afagando, peitos arfando, respirações comprometidas com o ritmo divino do ritual do amor! Deveriam estar se tocando, se experimentando, se descobrindo, enfim... mas se dependem de mim para a realização sana das suas loucas vontades, ainda as terão adiadas.

Hoje sinto fel na boca, aquele amargo ruim de ter confiado em demasia. O tempo, pra ser remédio, tem que ser tomado em doses cavalares. Pouco tempo não resolve nada, pouco tempo não cura a dor, pouco tempo não apaga a mágoa. Hoje, sinto a dor de ter dado tanto e me contentado com tão pouco. Vá lá, romântica e otimista incorrigível, achei que um dia a situação mudaria... mas acho q só piorou.

Hoje, tenho ao meu lado família, amigos, e o seu amor quase que incondicional. Mas tenho, também, um buraco que insiste em não fechar. Me falta algo pra me sentir forte e em paz. O orgulho excessivo faz com que certas pessoas só enxerguem o seu umbigo,fazendo-se de vítimas, sem se preocupar com o que semearam enquanto algozes. Sem se preocupar, enfim, com as outras pessoas.

Quatro e dez. Acordei de um sono incompleto, que finalizou um dia incompleto também. Fiz tudo conforme o figurino. Tive um dia corrido mas calmo, sem agitações, fui à Tenda pedir proteção… recebi muitos abraços, recados e telefonemas, desejando felicidades e boa sorte, tudo vai dar certo, você vai ver, conte com a proteção de Deus e do dr. Bezerra de Menezes, fique calma, acenda uma vela pro seu anjo da guarda, tome um banho de rosas, pedi orações pra você, te incluí no meu grupo de orações, enfim… recebi muito mais do que merecia, pois nem estou passando por uma situação assim tão grave, grave mesmo talvez estejam sendo a minha covardia e o meu medo…

Mas me falta algo, me falta, especificamente, um desejo de boa sorte, torço por você e pra que tudo dê certo

Não quero falar mais, estou muito triste pra seguir descascando meu coração, expondo a minha dor, por mais que isso possa vir a ser terapêutico. Sei que fui muito amiga, e só levei na cara. E muito! E, desavergonhadamente, continuei sendo amiga. E apanhando.

Daqui a pouco menos de uma hora tenho que levantar, me preparar, me sentir forte e ir pra luta. A recuperação será difícil, mas será definitiva. Contarei, novamente, com a família e os amigos. Contarei, enfim, com aqueles que querem estar do meu lado, que realmente se preocupam comigo e torcem por mim. O resto…

Não resisto, mesmo de mentirinha, vou suprir essa falta: boa sorte, flor-de-lis, Deus está com você e tudo vai dar certo, everything will be alright!

sábado, 31 de julho de 2010

o sexto...


Foi ela quem primeiro se deu conta da situação. Diminuiu aos poucos a pressão dos lábios (ah, aqueles lábios!), das mãos na nuca (ah, aquelas mãos!) e do corpo (humm, aquele corpo que tanto lhe dizia!). Ele, ao contrário, ocupou o espaço deixado, como se a seguisse, aumentando a pressão da boca, mãos (aquelas costas...) e corpo. Queria retê-la. Queria perder a noção so tempo e manter-se assim, à mercê de um instante eterno. Que nada mudasse! Mas ela, novamente, recuou a cabeça, abandonando o beijo e aconchegando-a outra vez no seu peito. E outra vez o perfume dos cabelos dela invadiram os seus sentidos e a sua memória. Aqueles momentos de aconchego dela usou-os para ficar imóvel, na esperança de que ela se mantivesse assim também, aceitando as mãos dele se movimentando lentamente.


segunda-feira, 26 de julho de 2010

outra pausa nos passos...


Às vezes sinto vontade de escrever sobre alguma coisa, me fazendo interromper os passos que vêm sendo dados. Hoje estive pensando sobre o momento mágico que vivemos agora no Brasil: a novela das 6 bombando, arrebentando na audiência, filme sobre a vida de Bezerra de Menezes, do Chico Xavier e agora o filme sobre o livro Nosso Lar, livro tão especial pra mim, que me abriu tantas portas de compreensão e entendimento! Pois bem: vendo o finzinho da novela das 6, me peguei chorando na cena da inauguração do Centro Comunitário. Estavam lá espíritos de luz, anjos, formando uma linda corrente, e eu me peguei pensando nas várias situações em que somos abençoados, estamos amparados e nem percebemos.

Me peguei pensando em quantos livros tenho aqui à minha disposição e não os leio, em quantos estudos ameacei fazer, sozinha ou acompanhada, e que foram deixados pra trás. Quanto ensinamento, quanta paz, energia, calma e amor estou desperdiçando. Paz, energia, calma e amor que podem alimentar meu coração e que eu preciso tanto! Como somos abençoados pelo conhecimento que temos e quanto o desperdiçamos, não usando-o nem mesmo em nosso próprio proveito! Quantas vezes deixamos que a dor tome conta da nossa vida, quantas vezes nos sentimos infelizes, quantas vezes não observamos o quanto somos privilegiados! E quanto desse privilégio sequer identificamos!

Quero fazer de cada dia uma oração de amor e agradecimento, não me permitindo fraquejar nem sentir-me coitada. Tenho tudo o que é necessário para superar meus problemas nesta existência e sair dela, realmente, bem melhor do que entrei. Que eu transforme o sofrimento em aprendizado e, desse aprendizado, eu ressurja feliz!

Tentarei voltar aos meus livros, meus estudos, sozinha ou acompanhada, mas buscando, realmente, aprender e apreender as lições tantas vezes ensinadas. Vou zelar pelas minhas noites, criando situações favoráveis para o meu espírito: dormir sem maus pensamentos, sem mágoa, num ambiente gostoso, distante de tudo o que possa me abater. E que eu sempre reflita nos meus momentos de dor, vendo o que me faz sofrer por outros ângulos, para que eu possa levantar a cada queda. Que eu busque o Deus que há em mim. Namastê!

Quanto aos passos, outros serão dados. Aquele casal apaixonado não aguentaria ficar eternamente num abraço e um beijo. Eles querem mais, muito mais!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

o quinto...


Era hora de se olharem. Ele sentia isso. Mas não queria sair daquele torpor gostoso, como se o menor movimento fosse quebrar o encanto. Como se só o seu pensamento comandasse a ação dos dois, sentiu que ela levantava a cabeça lentamente, abandonando o seu peito. O movimento foi lento e coordenado. O abraço foi tornando-se menos intenso, as cabeças foram se movendo, mas não chegaram a se olhar. Como um ímã, sem prévio aviso, desceu um pouco seu rosto, sabendo que iria encontrar, nesse percurso, os lábios dela. Não se olharam; ainda não. Roçou os lábios dela com cuidado e tesão, diminuindo o cuidado quando sentiu a sua nuca ser tocada. Procurou as costas dela por debaixo da blusa. Tremeu, ao contato com a pele.. Aí, acabou o cuidado, restando só o tesão.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

o quarto...

.
Aquele contato, a princípio tímido, foi se fazendo presente, como que exigindo dos dois a percepção do que ocorria. Assim, ainda com os olhos fechados, ela com a cabeça apoiada gostosamente no seu peito, ele sorvendo o perfume dos seus cabelos, foram tomando consciência da proximidade um do outro, estreitando o abraço, de tão próximos se fazendo a ponto de sentirem a mínima alteração que o corpo do outro oferecesse. Como se o coração pulsasse por todo o corpo, imóveis, sentiram essas alterações, com o gozo da coisa desejada.

domingo, 11 de julho de 2010

PAUSA NOS PASSOS... que voltarão a ser dados, porque a vida não para!



"Seja o sol, serei o mar.

Seja o céu, serei as estrelas.

Seja a chuva, serei a terra.

Seja a flor, serei o orvalho.

Seja a vida, serei a alegria.

Seja o amor, serei feliz!

Seu sentimento silencioso, seu carinho, seu apoio são as forças de que preciso. Te quero, te amo, te adoro. Todos os dias."

Momento de limpeza na minha vida e nos meus armários. Seguindo os ensinamentos do Gasparetto, estou jogando fora o velho que nada mais acrescenta pra dar espaço ao novo, aquilo que vai me fazer crescer, ser melhor. E uma coisa que já há tempos estava na fila da lixeira eram as minhas agendas. Me desfiz de 30 anos de agendas, que muito relatavam de mim. Agendas que eu não mais abria. Se eu fosse famosa, haveria sentido, lá estavam, cronologicamente anotados, momentos que me foram caros. Serviriam pra um livro biográfico, não pra minha vida em si. Recordações que dependam de anotações para que surjam no meu coração posso viver sem elas. Assim, essas 30 agendas foram gentilmente conduzidas à caixa de reciclagem. Mas algumas coisas, claro, mantive comigo. Uma delas foi o que transcrevi acima. Ganhei de alguém que me foi caro, e pra quem signifiquei alguma coisa também. Amei quando recebi, e acho lindo até hoje.Valeu!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

o terceiro...


Agora, o toque. Era inevitável. Levou a mão direita ao rosto dela. Um toque leve, como se algo pudesse quebrar-se a um toque mais rude. Como se o momento pudesse esvair-se, passar, e ela se fosse. Por tudo isso, o toque foi leve. Os dois se olhando, seus dedos passaram docemente por entre os cabelos dela. Um arrepio quase que imperceptível fez com que ela fechasse os olhos. Mas foi perceptível o suficiente para que ele o sentisse. Não soube se pelo toque ou em resposta ao arrepio dela, seu corpo respondeu da mesma maneira. Também com um arrepio, só que perceptível. Por vontade e por defesa, para conter o tremor do seu corpo, abraçou-a. Os braços dela, até então inertes, reagiram, e fecharam-se à volta dele, quase sem pressão.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

o segundo...


Tão perto, tão próximo que foi difícil. Difícil permanecer ali, olhando-a... difícil permanecerem ali, olhando-se... ele preferia pensar assim. Que o turbilhão dentro dele, o elevador desgovernado, era o turbilhão dentro dela, o elevador também desgovernado. Os dois. Por favor, que não seja só eu a estar assim, a me sentir assim! Era o seu pensamento naqueles segundos dolorosamente lentos e agradavelmente lentos. Outra vez a dor e o prazer. Não a dor causada pelo prazer, que isso é muito louco, melhor o prazer sem dor! mas a dor que acompanha a dúvida... e ele dando tudo na vida pra descobrir se ela estava dando tudo na vida pra descobrir o que ele sentia...

sábado, 26 de junho de 2010

o primeiro passo...


Ele não vacilou: ansiava por viver aquele momento. Palavras? Talvez atrapalhassem, pensou. Não, não agora. Era imprescindível que se falassem, tinha muito que dizer, muto que ouvir. Queria dizer o que sentia. E deixá-la sem nenhuma dúvida. Talvez o entendesse. Talvez... mas não agora, agora não. Agora, sem palavras. Nem esperou que ela chegasse perto, foi até ela. Devagar, só se moveu quando ela estava a poucos metros. Aí, encurtou o caminho. Devagar, sempre devagar. Como ela foi chegando também: apareceu no umbral da porta e veio com passadas normais, mas depois diminuiu o ritmo, como que esperando que ele fizesse a sua parte. E ele fez.

sábado, 19 de junho de 2010

Façamos um trato esta noite...


Façamos um trato esta noite...
não sejamos tão realistas.
Você geme e suspira,
eu ouço
enquanto minha boca te explora como louco
flutuando em luas surrealistas.

Façamos um trato esta noite...
efêmera é esta carne que nos lacra.
O tempo pára enquanto te despes.
O mundo desaba quando te vestes.
Ama-me antes que o pudor te rasgue como faca.

Façamos um trato esta noite...
as lágrimas são cristais do coração.
Eu sinto o fel em teus lábios maculados.
Vejo o abismo de teus olhos mascarados
que se escondem atrás de tormentos vãos...

Façamos um trato esta noite...
não adianta fugir da própria vida!
Ainda temes a flor pelos espinhos.
Ainda crês que terminaremos sozinhos.
E o amor é não mais que uma mentira.

Façamos um trato esta noite...
prometo te convencer na quietude
que o amor ideal é ao desfolhar dos dias
a felicidade nublando nosso ódio
e ter consigo sempre esta virtude.

(poema antigo, que me passaram como sendo de um poeta português, como português era quem me passou...)

Esse poema, lindo, me perseguiu por muito tempo, fazendo-me pensar se, um dia, eu teria coragem de olhar nos olhos de alguém, quase sem passado na minha vida, e dizer: façamos um trato esta noite!

continuo pensando, hoje já de forma mais leve...

terça-feira, 8 de junho de 2010

SILÊNCIO






nada mais a dizer... tudo já foi dito.



sexta-feira, 28 de maio de 2010

Macunaíma, o herói sem caráter



Todos nós, cedo ou tarde, encontramos um Macunaíma na vida, aquela pessoa que tem pinta de herói, boas atuações, impressiona, mas não tem caráter. Pena não haver receita para que os macunaímas sejam rapidamente identificados, de modo que os incautos se precavenham.


Um Macunaíma é tão bom quanto o tempo que se leva para descobrir que ele é um. Às vezes temos, ao nosso lado, uma pessoa considerada boa, honrada, respeitadora, honesta, ética e, anos depois, só então, o véu desvela o caráter que julgávamos a toda prova. Aliás e a respeito, tomo aqui emprestadas, mesmo que sem permissão, as palavras de um Macunaíma sobre o caráter, que vêm bem a calhar:


Das pedras fundamentais o caráter talvez seja essencial.

Para não saber até onde vai o caráter de um homem

é melhor que este homem ande sempre correto.


E é verdade: macunaímas do Brasil, por favor, não se excedam, não coloquem à prova o seu caráter, porque vocês não o têm! Vai rolar decepção! Para os outros, claro!


Pena que, até a queda da máscara, nós os levemos a sério...


quarta-feira, 28 de abril de 2010

cansada...


já há algum tempo, mas agora o cansaço é maior...

cansada de esperar, de ter esperanças de conseguir, de obter, de alcançar a paz no amor... o corpo doendo, a vontade de me abandonar na cama, na rede, no sofá, no chão, na vida... abandonar a - agora vejo, sinto - louca, insana idéia de ser feliz no amor, com este amor, com o meu amor...

julguei que era possível, os dados me pareciam favoráveis; agora, vejo que não: os dados que me iam sendo apresentados eram tão, mas tão instáveis, que eu jamais poderia me deixar levar pelo "pico", desconsiderando o "vale"... no terrível sobe-e-desce eu, com a desfaçatez de uma apaixonada, ia considerando só as subidas, como se só elas importassem, como se fosse possível passarem desapercebidas as descidas... e as descidas descem forte: me levam a lugares lúgubres e desesperançosos, escuros e sem cor/som/calor/odor...

em compensação, me agarro como insana às sensações das subidas, aos abraços, braços, laços, traços... que nem sempre delineiam a realidade, mas eu os vejo na direção que me apetece, na minha direção: braços abertos, se fechando em abraços aconchegantes, onde me aninho e me sinto pequena e grande, pequena pelo aconchego e grande pelo tamanho do amor...

ai, a-d-o-r-o me abandonar nos braços do homem amado, me sentir protegida e pequenininha, me deixar conduzir por caminhos... que caminhos! todos são fantásticos com o homem amado quando ele nos ama e se empenha em nos fazer feliz! que caminhos! até o caminho pra padaria é bom! pra farmácia, pra cozinha, pra aula, pro cinema, pra casa, pra cama...

mas esses caminhos têm que ser fantásticos também pro homem amado: o simples caminhar ao nosso lado deve ter , pra ele, o sabor de uma aventura, o gosto de fruta da estação... e que comamos da mesma fruta, pra podermos desfrutar do mesmo gosto!

falo, falo, mas o corpo doi; doi como se eu apanhasse hora sim, hora também; doi como se me derrubassem todo momento em que eu me atrevesse estar de pé e usufruir do amor, ainda que seja da lembrança dos bons momentos... me vejo toda cheia de marcas, de roxos, como se me agarrassem, arrastassem, empurrassem e sacudissem tentando me trazer à realidade: olha, isso não é amor, isso é só o seu amor, não há correspondência (biunívoca?), você está caminhando acompanhada, mas está só...

chega de desabafo, o tema é recorrente: o corpo doi do cansaço de ser um dia heroína, outro vilã; um dia essencial, outro supérflua...

e, ultimamente, me fazem sentir tão supérflua...