Como soltar um filho e saber que está solto em segurança e, principalmente, que ele voltará?
Como cortar aquele cordão que já foi cortado, mas que a gente insiste em manter? Aquele cordão que não só une, mas prende, amarra, quer manter sempre perto, sempre junto?
Soltar os filhos tem um quê de devoção que só hoje entendo. Tem um quê de desprendimento que machuca meu egoísmo, mas que aprendo a conviver com ele. Soltar os filhos é uma prova de amor muito maior do que mantê-los.
Muito cedo conheci Gibran Kalil Gibran e desde as primeiras linhas bebi das suas idéias com sofreguidão. Mas o texto dedicado aos filhos sempre me machucava, e seu entendimento só veio agora, muito tarde, mas a tempo. E em homenagem a ele, pelo que escreveu, a mim, pelo entendimento, e aos meus filhos, por serem o motivo da sua compreensão, transcrevo aqui esse texto, que agora, compreensível a mim, já não doi mais:
"Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da Vida por si mesma.
Eles vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outurgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; Porque suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós: Porque a vida não anda para traás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos serão arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda Sua força para que Suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria: Pois assim como Ele ama a flecha que voa, também ama o arco que permanece estável."
Bem, é isso.... agora venho aprendendo a soltá-los, com a certeza de que, quando quiserem, pelo tempo que quiserem, terão sempre um lar para voltar!
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