Todo recomeço é difícil, complicado... nos obriga a sair da inércia, na qual estávamos tão comodamente instalados. Comodamente mesmo que sobre sarças e espinhos, pois incômodo mesmo é ter que agir, atuar, sair do ponto de estagnação onde nada nos é exigido.Mas agora vai ser diferente. Analisando a situação em que me encontro, parada nos espinhos, (re)sentindo, em toda a sua extensão, as dores que eles causam, vou imaginar como seria estar sem esses incômodos do físico e da alma; logo, vou olhar pros lados e ver a possibilidade de desinstalar-me dali e colocar o carro em movimento; claro que sempre à custa de um esforço enorme, já que vinha me acostumando com os espinhos, porque periodicamente, alguém assoprava a minha dor.
Na verdade, não era só o acostumar-me com os espinhos, era a espera do parco alívio que eu imaginava vir desse sopro. Hoje, tentando olhar de fora, vejo que era um jogo “bate-assopra” ao qual vinha me acostumando e que aceitei participar faz muito, muito tempo, na esperança tola de que o “bate” terminasse.
Quem, senão eu, para dar um basta?
É o que busco agora. O “basta”. O fim. Pra que eu me permita o recomeço, mas em outras bases, de outra forma, jogando outro jogo. O jogo da igualdade, do ombro-a-ombro, do olhar pro lado e sentir-se acompanhada, e bem acompanhada, o que é fundamental... Quero estar pronta para o jogo da igualdade, do olhar terno e carinhoso que dispensamos/recebemos, da força mútua que passamos, da cumplicidade em todos os seus níveis! Agora, quero o jogo do crescimento, do “ser melhor com o outro”, não quero ser só anjo da guarda, quero que me guardem também. E com todo o amor e carinho que mereço.
E, antes que esse recomeço eu faça com alguém, recomeço agora comigo mesma, que sou ótima companhia, me quero bem, torço por mim e busco ser melhor simplesmente porque acredito que esse é o caminho.
Viva o recomeço, viva o jogo da igualdade, vivam meus sonhos, e que eu consiga transmutá-los todos em realidade!!!
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