quarta-feira, 3 de junho de 2009

A gente se deixa enganar...


Nem podemos acusar o outro.... a gente realmente se deixa enganar! A gente se deixa levar pela corrente mais favorável, embora mais frágil e ilusória... aproveita cada detalhe, palavra, escrito, gesto, como parte (insubsistente, é claro!) da estória que criamos ou da história que imaginamos seja real. Mas tudo aquilo só acontece na nossa cabeça, nos nossos sonhos...

As “dicas” que aproveitamos são verdadeiras maldades de quem nos quer sempre orbitando à sua volta, como um satélite, uma lua brilhante a iluminar seu planetinha escuro. Um planeta oco de intenções, oco de sentimentos; por isso, tudo acontece sempre na superfície, uma superfície suja, mas de aparência limpinha, já que todos os sentimentos, quereres, vontades profundas são jogados pra baixo do tapete. Sim, porque sempre haverá de existir um tapete próximo a essas pessoas... onde elas depositam as dificuldades, o "lixo" das suas existências.

E a lua, tadinha, com todo o seu brilho e luz, não importa que refletidos do Sol, de uma força maior, fica ali, quietinha, sem sair da sua órbita, cumprindo alegremente o seu papel de iluminar o planetinha escuro, com a ilusão de que esse planetinha um dia surja resplandecente e, principalmente, dê valor ao seu trabalho silencioso, mas constante. Na esperança de esse planeta oco de intenções transcenda essa sua pobre vocação de “peixe que nada na superfície” e se aventure em águas profundas, deixando de ser oco, tendo um conteúdo que não seja unicamente voltado para o mundo material.

Tolamente, tenho me contentado em permanecer lua de um planeta oco. Brilhando sempre que necessário, às vezes causando um black-out intencional, nos momentos de crise (porque até a lua tem direito a uma crisezinha...), pra mostrar como é ser planetinha sem lua... mas nem isso é importante, o planeta oco sobrevive sem a lua também... porque a intenção dele é ser autosuficiente, esquecendo-se de que isso só é possível aos astros de luz própria, espíritos de luz, os demais devem coexistir, trabalhar juntos para conseguir brilhar...

Hoje percebi que esse planetinha é um “namorido”. Argh, como detesto essa palavra, como a acho pejorativa e incompetente! Namorado com obrigações de marido, mas obrigações, não só vontades... tem os dias certos pra se fazer de marido, tem um contrato não firmado (será que ele firmou algum?). Por exemplo... domingo à noite, como uma gata borralheira, antes das 12 badaladas, o mundo pode cair, mas tem que bater ponto na cama, no sofá, em algum lugar daquele apartamento, não pra fazer amor, acariciar, ser feliz, mas pasmem, pra marcar presença, fantoche da/naquele território... isso satisfaz os dois: eu finjo que sou, você finge que acredita ... que triste! Dá-lhe, dinheiro, status, poder e posição, ouros de tolo!

Aqui, caberia até um subtítulo, algo como a banalização do amor. Sei pouco de você, você sabe pouco de mim, não há interesse em aprofundar nossos conhecimentos um do outro (isso pode ser perigoso, pode desenvolver uma relação verdadeira!), assim podemos seguir nos relacionando ocamente...rs... piada! E aposto que eles dizem que se amam! Ele, que treme de tesão nos braços de outra, que beija com sofreguidão outros lábios, que acaricia com premência outro corpo... que planetinha oco!!!

Adeus, Flor de lis.....




6 comentários:

  1. Nos desfazemos em nossas certezas e em nossos julgamentos.

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  2. aquilo de q nos fizemos não existe mais...

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  3. Sim, deixa de existir a cada pá de cal que insistimos em derramar sobre o que sobrou.

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  4. nao existe pq deixou d ter importancia pra um d nos... cansei d preservar lembrancas importantes pra um soh...

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  5. Pessoas diferentes(mudamos com o tempo) + momentos diferentes(o tempo passa) = forma diferente

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