sábado, 19 de junho de 2010

Façamos um trato esta noite...


Façamos um trato esta noite...
não sejamos tão realistas.
Você geme e suspira,
eu ouço
enquanto minha boca te explora como louco
flutuando em luas surrealistas.

Façamos um trato esta noite...
efêmera é esta carne que nos lacra.
O tempo pára enquanto te despes.
O mundo desaba quando te vestes.
Ama-me antes que o pudor te rasgue como faca.

Façamos um trato esta noite...
as lágrimas são cristais do coração.
Eu sinto o fel em teus lábios maculados.
Vejo o abismo de teus olhos mascarados
que se escondem atrás de tormentos vãos...

Façamos um trato esta noite...
não adianta fugir da própria vida!
Ainda temes a flor pelos espinhos.
Ainda crês que terminaremos sozinhos.
E o amor é não mais que uma mentira.

Façamos um trato esta noite...
prometo te convencer na quietude
que o amor ideal é ao desfolhar dos dias
a felicidade nublando nosso ódio
e ter consigo sempre esta virtude.

(poema antigo, que me passaram como sendo de um poeta português, como português era quem me passou...)

Esse poema, lindo, me perseguiu por muito tempo, fazendo-me pensar se, um dia, eu teria coragem de olhar nos olhos de alguém, quase sem passado na minha vida, e dizer: façamos um trato esta noite!

continuo pensando, hoje já de forma mais leve...

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